sábado, 3 de outubro de 2009

Ainda há esperança!

Mesmo com a conturbada situação por qual passa o Congresso Nacional, que caía no descrédito para com a população, tendo em vista os fatos que estão sendo levados ao conhecimento geral, os eleitores brasileiros que se viram alijados pela classe política brasileira ainda possuem uma voz ativa e operante para defender os ideais republicanos. Excelentíssimo senhor senador da República, Eduardo Suplicy (PT-SP), resolveu demonstrar que sobre as ruínas é possível reerguer novamente uma casa política estruturada em sólidos princípios éticos, morais e dignos, com isto viabilizando políticas públicas que se prestem a sua finalidade precípua que é o bem coletivo.

Ao pedir de maneira inusitada, com um cartão vermelho, que o ilustre presidente do Senado Jose Sarney (PMDB-AP) deixasse o cargo, deixou clara a insatisfação da população brasileira em ver o Congresso dirigido por alguém que não representa a legítima vontade popular, com isto ficando evidente que ainda há políticos para quem os princípios são maiores que as aspirações pessoais.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

República que se lê! Monarquia que se vê.

Durante o processo de estruturação sócio-político do Estado Brasileiro, o mesmo assumiu diversas facetas, desde a centralização absoluta do poder até o que hoje se contempla, ou seja, liberdade absoluta para escolha do destino que se deseja para a nação, que se dá através do voto direito e periódico realizado a cada quatro anos, seja no âmbito nacional ou municipal que se dá através das eleições. O que é necessário ressaltar é a possibilidade de alternância de poder, item esse que alias é essencial para um estado democrático com o fito de renovar e ampliar os horizontes governamentais, assim propiciando a mudança do modus operandi da administração pública, viabilizando assim a rotatividade do poder, e a integração dos cidadãos.

Todavia percebe-se que esta rotatividade de poder que mencionamos outrora, tem sido apenas no papel, pois homens públicos tem utilizado a política para estabelecer verdadeiros reinados, onde há um verdadeiro clã de suas famílias no exercício do poder diretivo sócio-político. Desta forma, essas famílias tem se apossado das benesses deste cargo para tirar proveito próprio da situação para se eternizarem na maquina publica.

O que salientamos aqui é que devemos ficar de olho, nos candidatos que se apresentam como fontes alternativas de renovação do poder, mas que, no entanto, não passam de sucessões de velhas práticas que são reiteradas nos palanques e na administração, apenas com uma nova roupagem, mas com o velho teor prático. Assim, caríssimos leitores, cuidado com descendentes, ascendentes ou quaisquer outros que se apresentem como solução e inovação, que seja proveniente do núcleo dominante do poder, pois este não passará de simples mantença do status quo ante.

domingo, 23 de agosto de 2009

Para um voto de qualidade, informação de verdade.

Sempre que há uma discussão sobre política no meio social, inevitavelmente alguém envolvido nesse diálogo diz que a má qualidade dos nossos representantes é culpa dos eleitores que lhes conferem legitimamente um mandato, portanto, o produto desta escolha é de nossa responsabilidade.

Porém, ao refletir sobre tal afirmação, algumas indagações surgiram, dentre elas como exigir de um contingente tão grande de pessoas como é o do Estado brasileiro, que optem por eleger os melhores representantes sendo que a informação, item essencial para a liberdade de escolha, está na mão dos grandes “figurões políticos” que em inúmeros casos são proprietários de grandes meios de comunicação, podendo assim macular a notícia a fim de minimizar o potencial lesivo que a isenção na informação lhes traria.

Pois, se o consciente coletivo passa-se a ter acesso à informação, sobrepesando as diversas vertentes que cada fato possui, com suas peculiaridades, dificilmente nos depararíamos com o que atualmente estamos assistindo. Destarte, e claro que somos co-responsáveis por tudo o que vem ocorrendo em nossa sociedade, especialmente no que se refere a política, mas devemos propiciar aos eleitores conhecimento real e imaculado acerca dos acontecimentos que permeiam nossa organização social, dando assim suporte aos mesmos, para que só então a afirmação que acima nos referimos possa realmente ter algum sentido.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O jeitinho brasileiro de arrumar a casa

Por Ezequiel Rodrigues

Em 1891 com advento da primeira constituição da Republica Federativa do Brasil, o solo pátrio institui uma nova forma de governo, a saber, a república do latim “res publica” ou simplesmente coisa publica. Tal modelo tem por finalidade instituir um representante do povo, para gerir e aplicar a maquina publica para o beneficio da coletividade. Sendo que a república teve seu nascedouro em Roma no seu período clássico, onde lá também apareceu primeiramente o SENADO, que é a mais remota assembléia política. Essa instituição, conforme dispõe o texto constitucional, tem por escopo que cada estado membro da federação tenha um representante que busque trazer melhorias para União como um todo, e em particular o estado que o parlamentar ali representa.

Todavia, com os sucessivos escândalos envolvendo membros do Senado brasileiro, não se sabe mais quais são os verdadeiros objetivos e interesses de seus membros, pois recentemente contemplamos uma serie de situações comprometedoras envolvendo o presidente da casa José Sarney. Tais situações estão cingidas de um conjunto probatório extremamente contundente, conforme investigações da policia federal divulgas pelos jornais Folha de São Paulo e Estadão. Mas, no entanto, o ilustre presidente do conselho de ética Senador Paulo Duque (PMDB-RJ), integrante do mesmo partido de Sarney e amigo do mesmo, desprezou as consistentes provas e resolveu arquivar sumariamente todas as representações e denuncias, pois segundo o ilustre presidente do conselho de ética do senado, as provas produzidas são insuficientes e os acusadores são ilegítimos.

Data máxima vênia, se o inquérito da Polícia Federal com gravações em que o próprio senador Jose Sarney aparece apadrinhando o namorado da neta, violação expressa ao artigo 37 da Constituição Federal, ofensa direta aos princípios da impessoalidade e moralidade, o contrato social da fundação Sarney em que ele aparece como presidente vitalício, não constituem provas cabais; nem mesmo sua confissão seria suficiente para mudar o juízo prévio de valoração proferido pelo conselho de ética na pessoa de seu presidente. Assim, resta lembrarmos os ilustres eleitores que em 2010 teremos novas eleições que renovarão o senado federal em 2/3 de seus membros e que em tal evento poderemos dar a resposta que hoje não tivemos, portanto valorize seu voto, pois ele é o único instrumento que hoje dispomos para melhorarmos a política brasileira, pois se deixarmos para os que lá estão ficaremos decepcionados com decisões como estas, que agridem o regime democrático ao qual estamos inseridos.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Perfil

Ezequiel Rodrigues
Formando em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira em Goiânia, busca refletir sempre sobre os problemas sociais para sugerir possíveis soluções; antenado com os assuntos políticos e jurídicos é um apaixonado pelo exercício da advocacia: sua futura profissão.

domingo, 19 de outubro de 2008

Muito barulho por nada

Por Malu Fontes

Desde a eleição de Léo Krét do Brasil, famosa dançarina de um grupo de pagode soteropolitano, como uma das vereadoras mais votadas de Salvador, beirando os 13 mil votos, não se fala de outra coisa. De um lado, os conservadores, boquiabertos, mais chocados com a eleição da moça do que com o tsunami financeiro que assola as economias tidas até ontem como as mais robustas do planeta. De outro, os gaiatos, os falsos engraçadinhos que não perdem a chance de elaborar piadinhas sem graça para patetizar a transexual (denominação que ela mesma prefere, ao invés de travesti) e usá-la como bode expiatório para dizer que a Câmara de Vereadores se transformou num zoológico humano. Léo Krét, vale lembrar, é fruto do jornalismo popular no qual praticamente todas as emissoras locais vêm apostando pesado nos últimos anos.

Entre os dois discursos há mais em comum do que os representantes tanto do conservadorismo quanto da gaiatice admitem. Na essência, as duas correntes estão é repetindo o mesmo argumento embolorado, segundo o qual a presença de Léo Krét, com seus jeans de cintura baixa deixando à mostra a marca de biquíni adquirida no banho de sol na laje, em Pernambués (bairro popular de Salvador, onde mora a vereadora eleita), representa a esculhambação.

FALSA LIBERALIDADE - Independentemente do que a nova vereadora – sim, ela mesma reivindica enfática que quer ser chamada de vereadora, anuncia que vai usar tailleur com scarpins e não terno e gravata, além de jurar que vai porque vai usar o banheiro feminino – vai fazer ou deixar de fazer na Câmara, bom senso é bom e o próprio eleitor, com mau humor ou com sarcasmo, deveria mesmo era estar cansado da hipocrisia que viceja sob a epiderme da falsa liberalidade baiana.

O que, além do preconceito (de classe social e de gênero), justifica o fato de tanta gente achar que Léo Krét é mais 'cretina' do que tantos vereadores e tantas vereadoras que já passaram pelo legislativo municipal e não deixaram nenhum legado que prestasse para os ingênuos e incautos que os elegeram?

Não fosse a hipocrisia, os puristas, ingênuos e gaiatos estariam sempre chocados com os tantos nobres parlamentares que, embora nunca tenham sido objeto de nenhuma discriminação, usurparam direta e indiretamente muito dinheiro durante seus mandatos. Seja metendo a mão em verbas públicas graças a acordos costurados em troca de apoio ao Executivo – em toda e qualquer época, seja tendo a mão 'molhada' generosamente por empresários que sempre mantiveram seus negócios muito vivos justamente graças à habilidade em alugar parlamentares e seus mandatos para os transformarem em lobistas eficientes. Nunca a serviço de quem precisa, mas de quem pode e pôde pagar.

MANDUS - Não se fala aqui em generalizações, pois gente honesta tem em todo lugar. No entanto, embora devesse ser da natureza da atividade parlamentar aliar-se à honestidade, tal regra se tornou exceção, e das grandes. Diante da fauna de desonestidade que hoje tem assento nos parlamentos, se o medo é de desmoralização, Léo Krét corre o risco é de ser canonizada como a ingênua da corte, com seu guarda roupa kitsch, aparentemente mais interessada em flashes do que em dar uma banana para quem votou nela.

Mesmo que tenha um mandato pífio, não terá feito outra coisa senão repetir o ostracismo parlamentar que caracterizou o mandato de muito macho e muita mulherzinha naquela Casa. Diante dos mandus que passaram, passam e passarão pela "Casa do Povo", Léo Krét aparenta ser infinitamente mais inofensiva do que muitos dos respeitáveis senhores e senhoras que com ela dividirão o plenário.

DESPOLITIZAÇÃO - Para quem se pergunta quem elegeu Léo Krét, a resposta é óbvia: a televisão popular. A despolitização de Léo Krét era tão ostensiva, não remetendo a nenhuma promessa séria nem tampouco a bandeiras dessa ou daquela minoria ou comunidade que, aos olhos do eleitorado, já que é para não levar a sério, melhor radicalizar. A proposta de Léo Krét começa e termina nela mesma, na sua presença queer (estranha) no meio de gente que finge ser séria e normal, mas cuja essência é mais falsa que uma nota de quinze.

A TV criou o fenômeno eleitoral Léo Krét. Não o programa eleitoral, mas o saque do jornalista Pablo Reis, quando a escolheu para exibir na TV no programa de Bocão. A receita era uma sopa no mel em um programa popular: um corpo masculino artificialmente arredondado e feminilizado dentro de calças skinny strech de cintura baixa, madeixas encaracoladas untadas de umidificador. O produto era sinônimo, ao mesmo tempo do que há de mais freak, o espetaculoso, kitsch e over, tudo no grau máximo. Na campanha em busca de votos, enquanto candidatos metidos a sérios prometiam 'de novo outra vez' o paraíso na terra da felicidade, o retorno ou a chegada a uma Salvador tão mítica quanto falsa, improvável, impossível, Léo Krét só precisava rebolar e sorrir. Não queiram agora cobrar uma fatura que ela nunca se comprometeu a pagar. Mesmo porque nunca a cobraram dos outros.


Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Coisas de Campanha

Do JE em São Paulo

O Jornal Folha de S. Paulo está incisivo na questão da qual a candidata do PT, Marta Suplicy deveria pedir desculpas ao candidato Gilberto Kassab, do democratas, por insinuar que o prefeito da capital paulista é homossexual. O foco editorial do jornal paulistano está tão centrado nisso, que até o distante correspondente em Pequim opinou.

Em algumas conversas com eleitores, via e-mail, o JE Informa perguntou informalmente sobre o trajeto e sobre as investidas das campanhas em São Paulo. Alguns leitores e eleitores com os quais conversamos não se mostraram muito chocados com a pergunta se o candidato Kassab era casado, ou tinha filhos. Para eles, há, sim, a possibilidade de duplo sentido na pergunta, mas concordam que no sentido da campanha, do qual o PT quer mostrar que Kassab não é um homem conhecido em São Paulo, a pergunta não precisa ser lavada para essa conotação. Para eles, mesmo se os boatos se confirmarem, isso não atrapalharia o voto, se o candidato, independentemente de ser o Kassab ou não, fosse um bom administrador. E você, o que acha? Mande um e-mail para a nossa equipe, mas antes assista à pesquisa feita pelo J Vox nesta quarta-feira.

video

Lula é meu

Candidatos que disputam o 2º turno em Salvador esquecem propostas e disputam um lugar no coração do presidente

Filipe Costa
Editor do JE em Salvador

O 2º turno da disputa pelo Palácio Tomé de Souza, sede da prefeitura de Salvador, é marcado por um embate entre dois candidatos da base aliada do presidente Lula, que no Nordeste conta com índice de aprovação estratosférico, 92%. O atual prefeito da cidade, João Henrique (preferido por 31% do eleitorado), do PMDB do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), enfrenta, no sentido mais literal da palavra, o petista e deputado federal Valter Pinheiro (detentor de 30% dos votos válidos), que conta com o apoio do governador Jaques Wagner.

Desde o 1º turno, os dois ensaiam uma disputa que, se não for patética, é improdutiva e desprezível para o eleitor interessado em propostas e em um programa de governo sério. João e Pinheiro brigam, como dois garotos pré-adolescentes, para provar ao eleitorado quem é mais amigo do presidente Lula. Ambos fazem questão de gastar valiosos minutos do horário eleitoral, que longe de ser gratuito, é pago pelo contribuinte, com declarações de amor e carinho para o presidente, estampam fotos onde posam ao seu lado e trocam farpas do tipo: ‘fiquei amigo dele primeiro, você não pode ser amigo dele’, esperneia Pinheiro - com aparente ressentimento - e ‘o que importa é que, agora, ele gosta mais de mim e me dá mais atenção’, retruca João, inseguro de suas afirmações, mas impelido a faze-las pelo todo-poderoso ministro Geddel, convicto de que o presidente nunca o desmentiria e nem subiria no palanque de Pinheiro, sob pena de implodir a fundamental aliança firmada entre o PT e o PMDB em esfera nacional.

Mesmo balaio - Fora esta divergência, que na verdade é originada por um interesse em comum, poucas são as diferenças programáticas dos dois. Aliás, este é um problema crônico em todo o País. Todos parecem oriundos da mesma escola, possuem discursos homogêneos, que podem parecer divergentes no varejo, mas acabam por se confundir no atacado. Se vendem como excelentes gestores, que se preciso for colocarão a mão na massa para construir creches, hospitais, escolas, metrô e tudo mais que você imaginar que possa atrair votos. Outro aspecto semelhante em suas falácias, me permitam denominá-las assim, é que todos concordam que é impossível realizar tudo o que querem em “apenas” quatro anos, como prevê a legislação. Querem oito anos e, caso não sejam reeleitos, não querem ser responsabilizados pelo eleitor pelo desempenho abaixo do esperado. Cabe a nós, meros votantes, espectadores do circo político, apenas o DEVER de reelegê-los, a fim de que possam concluir seus programas de governo cinicamente vinculados a cronogramas que, coincidentemente, só cabem em exatos dois mandatos consecutivos.

O que se vê em todo o Brasil, e particularmente em Salvador, são discursos meramente publicitários. Nas mãos e nas cabeças hiper criativas dos marqueteiros, candidaturas são transformadas em mercadorias e discursos em histórias tão fantasiosas quanto os contos da carochinha. Ilusões (é só pegar o programa de governo da maioria dos candidatos de 2004 e observar se tudo o que foi prometido foi cumprido para constatar que boa parte do que está ali é enrolação pura) que são vendidas a eleitores-consumidores pouco exigentes, que parecem querer ouvir somente as melhores ofertas – propostas – e são seduzidos pelo produto mais atraente – a embalagem. O resultado deste joguinho são falas genéricas e evasivas, até porque, deste modo, fica mais fácil esquivar-se de cobranças posteriores.

Além de todo este contexto político, outra explicação possível para a semelhança nos discursos de João e Pinheiro é a participação do PT na gestão de João Henrique. A ‘companheirada’ de Pinheiro ocupou, por 40 meses, cargos importantes e assumiu secretarias como a da saúde. Faz apenas sete meses que o partido entregou os cargos que possuía e instantaneamente se autobatizou oposição, como se mudar de lado no cenário político fosse tão simples e fácil quanto ser censurado em Cuba ou acusado de terrorismo nos EUA. O peemedebista acusa o PT, obvia e acertadamente, de traição por causa deste episódio. Os petistas preferem mudar de assunto e juram de pés juntos que romperam a cinco meses da eleição não por mera conveniência política, mas sim pela “acentuação das divergências políticas”. Situação, no mínimo, embaraçosa, que desbota ainda mais o vermelho da estrela símbolo das lutas do PT.

Por outro lado, os petistas acusam João de usar a máquina pública para favorecer sua candidatura, transformando a cidade em um canteiro de obras somente neste último ano de gestão. O que, inegavelmente, é uma verdade. Banho de asfalto, de luz, construção de praças, ampliação do efetivo da guarda municipal entre outros projetos, só foram iniciados a poucos meses das eleições. O prefeito-candidato se justifica dizendo para o eleitor acometido por uma síndrome de ingenuidade que encontrou a prefeitura “endividada e sem condições de fazer investimentos”. Tá, e eu perdi o ‘era uma vez’ da história...

Enquetes - Discussões desta natureza à parte, o que une harmoniosamente os dois candidatos são as críticas aos institutos de pesquisa, principalmente ao Ibope, que protagonizaram um dos vexames das eleições de Salvador (o outro vexame você verá mais adiante). Nem o DataFolha, nem o Ibope sinalizou, claramente, a possibilidade de 2º turno entre Valter Pinheiro e João Henrique, confronto que veio a se concretizar. Dois dias antes do pleito, e depois de ter seus números questionados durante toda a campanha eleitoral, o Ibope pareceu ter jogado as toalhas e apontou empate cravado entre três candidatos (26% para cada). O DataFolha dava a liderança isolada para João, com 31%, que era seguido por ACM Neto (27%) e Pinheiro (24%). Até o fechamento deste texto (01h00 do dia 15/10/2008), nenhum instituto havia se arriscado a divulgar qualquer pesquisa de intenção de voto para o 2º turno.

A imagem do Ibope já estava deteriorada na Bahia desde 2006, quando pesquisas colocavam a vitória no colo do candidato Paulo Souto (na ocasião PFL) ainda no 1º turno das eleições para governador. O resultado das urnas divergiu completamente dos dados levantados. Souto perdeu ainda no 1º turno para o petista Jaques Wagner. Caso queiram divulgar novas pesquisas, os institutos teriam que, ao menos, elaborar uma margem de erro para a margem de erro ou fazer a ressalva de que seus levantamentos não passam de enquetes meramente ilustrativas, sem valor estatístico.

Recado das urnas - Como já foi dito, este não foi o único ‘mico’ das eleições soteropolitanas. A derrota do candidato do DEM, ACM Neto, lançou pesadas camadas de dúvida sobre a crença no ressuscitamento do ‘carlismo’. A capital, até pouco tempo conhecida como reduto do DEM, antigo PFL, pela terceira vez consecutiva diz um sonoro ‘não’, através das urnas, ao movimento político fundado pelo senador Antônio Carlos Magalhães, morto em 2007. O carlismo, que sempre rondou o DEM baiano, já chegou a controlar a maioria das cadeiras nas câmaras municipais, importantes prefeituras, inclusive a da capital, o governo e as três vagas do estado no senado ao mesmo tempo. Hoje, comemora a vitória em algumas prefeituras do interior baiano, e já se dão por satisfeitos.

Desde 2004, o eleitorado baiano, sobretudo o soteropolitano, vêm rejeitando as candidaturas de políticos ligados a esta corrente político-ideológica. Nas eleições daquele ano, para prefeito, o democrata César Borges, perdeu no 2º turno para o então pedetista João Henrique, que era apoiado pelos partidos ditos de esquerda como PT e PC do B. O placar foi vexatório: 75% a 25%. Em 2006, uma nova derrota histórica. Desta vez, a vítima foi o ex-governador Paulo Souto. Agora, um legítimo ‘Magalhães’, o neto de ACM, sentiu o gosto amargo da derrota. Esta é a primeira vez que um candidato carlista deixa a disputa pela prefeitura ainda no 1º turno. Situações como esta sinalizam que a política baiana passa por profundas e definitivas transformações, resta aos seus atores acompanhar o processo e promover mudanças em seus modos de atuação.

O recado das urnas foi dado de maneira clara, mas parece não ter sido muito bem assimilado. Mal vemos o fim, ou pelo menos o enfraquecimento, de um movimento liderado por um cacique, acompanhamos o surgimento gradual de outro, que segue o mesmo caminho do anterior. Uma corrente configurada em torno de um personagem central que pretende galgar cargos cada vez maiores e ocupar as diversas esferas do poder, sempre sob o pretexto de querer fazer mais pelo que os políticos chamam de povo. Nestas eleições, Geddel Vieira Lima, que recebeu o apoio de ACM Neto neste 2º turno, se mostrou um exímio discípulo de ACM, o avô.

sábado, 4 de outubro de 2008

Agora é que são elas

Eleitorado feminino deve decidir eleição no Recife

Ivan Richard
Enviado especial da Agência Brasil


Quando forem abertos os locais de votação amanhã (5), 1.108.385 eleitores estarão aptos a votar em Recife (PE). Assim como a média nacional, o eleitorado recifense é composto em sua maioria por mulheres. São ao todo, 608.729 do sexo feminino, o que corresponde a 54,92% dos votantes.

Os homens são, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 498.005 eleitores, ou seja, 44.93% dos que podem votar em Recife. A maior parte do eleitoral recifense (258.469 eleitores) está na faixa etária entre 45 e 59 anos de idade, seguido de perto pelos que têm idade entre 25 e 34 anos, que somam 257.263 eleitores.

Os eleitores com 16 anos formam a menor parcela daqueles aptos a votar na capiptal pernambucana. Eles somam ao todo 4.819 eleitores. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (Ibge), a população de Recife é de 1.533.080 habitantes.


Tecnologia nas eleições

Urnas biométricas já estão nas seções eleitorais em São João Batista, Santa Catarina

Jorge Wamburg
Enviado Especial da Agência Brasil

Chove desde ontem (3), na capital e também na região Sul do estado, fazendo a temperatura bater os 15 graus. Mesmo assim, o cronograma foi cumprido e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Santa Catarina entregou, hoje (4) à tarde, as urnas biométricas de São João Batista, nos 12 locais de votação da cidade.

As 48 seções eleitorais do município terão as urnas biométricas, que identificam o eleitor pelas impressões digitais. A tecnologia de identificação do eleitor é inédita no país e será testada também nas cidades de Fátima do Sul (MS) e Colorado do Oeste (RO).

Antes da distribuição, o chefe do Cartório da 53ª Zona Eleitoral, Airton Morais Teixeira, reuniu os 12 delegados que serão responsáveis pela guarda das urnas a partir da entrega nos locais de votação. Ele repassou as últimas instruções sobre os procedimentos de segurança até o início da eleição, às 8 h de amanhã (5). Até lá, as urnas têm que ficar em caixas lacradas, guardadas em local seguro, nos espaços onde serão instaladas as seções eleitorais.

As urnas biométricas só serão instaladas nos locais de votação meia hora antes do pleito, conforme o procedimento padrão da Justiça Eleitoral. Caberá aos secretários das seções eleitorais providenciar a instalação e testar o equipamento antes do início da votação. Todos já foram treinados para trabalhar com a novidade tecnológica, em eleição simulada, realizada pelo TRE recentemente.

Devido ao treinamento, que envolveu 800 eleitores especialmente selecionados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Airton Belarmino, acredita que tudo correrá bem amanhã com a votação na urna biométrica. A maior seção eleitoral do município tem 400 pessoas aptas a votar. A cidade tem 16 mil eleitores. Em 2007, a população de São João era de 22.089 pessoas.

Enquanto a Justiça Eleitoral preparava a estrutura do pleito, candidatos a prefeito e a vereador faziam campanha hoje pelas ruas da cidade, com carros de som, durante todo o dia, desrespeitando a legislação eleitoral. Além disso, eles marcavam presença soltando foguetes a todo o momento.


Disputam a prefeitura o atual prefeito, Aderbal Mendes dos Santos e o médico Gilberto Gonçalves Cândido.

Segurança no Rio

Tropas federais vão atuar com mais de 5 mil homens na eleição do Rio

Douglas Correa
da Agência Brasil

As tropas federais que dão suporte às eleições municipais no Rio de Janeiro vão atuar amanhã (5), dia da eleição, de modo diferente: os 5.600 homens do Exército e da Marinha ficarão a cerca de 100 metros de distância dos pontos de votação, concentrados em 258 seções eleitorais, incluindo as dos municípios da Baixada Fluminense, além de Campos dos Goytacazes, no norte do estado.

De acordo com o coronel André Luiz Novaes, porta-voz da Operação Guanabara, que teve início no dia 11 de setembro, cada local de votação, terá um efetivo de 15 a 30 militares, além dos 27 mil homens da Polícia Militar, que também estarão atuando junto às seções eleitorais.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio alertou os eleitores quanto a cuidados que devem ser observados no dia do pleito. Um dos pontos principais diz respeito à proibição do uso, na cabine de votação de celular, equipamento de radiocomunicação ou qualquer outro aparelho que possa comprometer o sigilo do voto. Além disso, o TRE voltou a lembrar aos eleitores para não aceitar qualquer tipo de intimidação porque a urna é totalmente inviolável e o voto, secreto. Ninguém tem como saber em quem o eleitor votou, garantiu o tribunal.

Segurança em SP

São Paulo terá esquema especial de policiamento durante as eleições

Elaine Patricia Cruz
da Agência Brasil


As polícias Civil e Militar de São Paulo montaram um esquema especial para amanhã (5) durante as eleições municipais. Segundo nota enviada à imprensa pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), foram mobilizados 57 mil policiais militares, que atuarão com 11 mil viaturas e 21 helicópteros, para “garantir a segurança da população e a legitimidade das eleições”.

Na capital, 12 mil policiais militares cuidarão dos 57 cartórios eleitorais, das cerca de 1,8 mil escolas nas quais haverá votação e justificativa eleitoral. eles também vão atuar durante a apuração.

“Vale lembrar também que, 24 horas antes do início das eleições, os PMs já estarão trabalhando na segurança das urnas eleitorais, seja na guarda ou no transporte até os locais da votação”, diz a nota da SSP.

A Polícia Civil, embora se mantenha em greve desde o dia 16 de setembro, informou que ficará à disposição da Justiça Eleitoral amanhã. A Delegacia Geral de Polícia (DGP) vai ficar de plantão para acompanhar as eleições e nenhuma delegacia – seja no interior ou na capital – ficará desguarnecida, informa a nota.

São considerados crimes no dia da eleição o uso de alto-falantes e amplificadores de som ou a promoção de comício ou carreata; a divulgação de qualquer espécie de propaganda de partidos políticos ou de candidatos e a propaganda de boca-de-urna. Não será permitida a aglomeração de pessoas portando instrumentos de propaganda de partidos ou de candidatos.

A Lei eleitoral permite a manifestação individual e silenciosa do eleitor, seja pelo uso de bonés, broches, camisas ou adesivos. Nenhum eleitor poderá ser preso cinco dias antes e 48 horas depois da eleição, exceto em caso de flagrante delito ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou também por desrespeito a salvo-conduto.